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Mara Santos

Natal em Palavras - Volume I

Natal em Palavras - Volume I

2018

Conto de Natal do teu futuro eu

Era Natal!
Naquele tempo ainda se festejava daquela forma banal... de em cada centro comercial esquecer Jesus e
encarnar o Pai Natal! Ainda se compravam objetos descartáveis para substituir outros em perfeita
utilização, que depois se ofereciam e acumulavam até não mais interessarem e apenas se tornarem mais
uma fonte de poluição. Ainda se acendiam luzes coloridas em cada rua, em cada montra, em cada casa...
mas faltava ver que a luz que tinha que se acender não libertava dióxido carbono para a atmosfera...
Faltava acender a luz interna! Sim, porque quando o cérebro se transcende uma luz se acende e quando
o coração se incandeia, a escuridão clareia!
Mas naquele tempo, Natal ainda era apenas um dia do calendário reservado para jantar com toda a
família ou lembrar que ao redor alguém precisava que os outros fossem melhor e uma apoteose de
generosidade generalizada tinha o seu tempo de antena anualmente previsto e cumprido ao segundo,
como se Natal fosse um ritual de excesso de consumo e em que a lei maior fosse ser melhor... mas
apenas e só naquele período finito no final de cada ano...
Como se fosse esse o plano!
Naquele tempo ainda ninguém tinha percebido que não eram só os doentes de hospital que precisavam
de solidariedade musical, nem eram só os pobres sem abrigo que precisavam de um jantar melhor
servido e não eram só os idosos dos lares que precisavam de uma festa a substituir a dos familiares e
não eram só as crianças mimadas que precisavam de ver os seus pedidos correspondidos e não eram só
os que perderam alguém que estavam perdidos...
Todos precisavam que todos fossem melhores, todos precisavam de generosidade alheia, todos
precisavam de se ver dessa maneira... como impotentes à mercê do que há-de vir e simultaneamente
como os ventos da mudança, criadores da esperança!
As tempestades sucediam-se e a proteção civil cada vez alertava mais frequentemente para os perigos
de sair à rua, a ciência justificava que uma verdadeira atitude tinha de ser tomada e até estabelecia
metas e limites mas ninguém ouvia que a Humanidade estava em perigo, que provavelmente nem o
Planeta aguentava, que a tentativa de fugir em busca de uma nova casa era pouco sustentada e que
estava errado tudo o que se fazia mas nada novo se inventava!
Era só mais um Natal! Era altura de repetir o ritual!
Nunca é facil evoluir. O primeiro travão é sempre o desinteresse por medo de acreditar que o melhor
está por vir, se não nos deixarmos dormir num qualquer pesadelo medonho...
Desde que as mentes se abriram, os espiritos progrediram e as forças se uniram, as mudanças
materializaram-se e o perigo passou!
Para Jesus era um sonho!

Um sonho que mais tarde outros sonharam, um a um todos se juntaram e hoje, o futuro desse passado
está totalmente mudado e este presente não embrulhado é a maior oferta que todos nos podemos dar.

Chiado Books




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